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terça-feira, 19 de maio de 2026

No, no es amor. Lo que tú sientes se llama obsesión

 


 Eu não sei gostar muito de algo. Eu fico obcecada. Não, não é hiperfoco e não venha me diagnosticar com nada. Você, provavelmente, não é um profissional e, se for, é um dos ruins, porque pra diagnosticar algo precisa de tempo de consulta, e não de um texto no blog/substack.

Estamos todos de acordo?
Sim?
Ok.
Sigamos.

Obsessão. 

Eu me toquei disso quando comecei a fazer lira no ano passado. Quando falo lira, não é o instrumento (que acho até meio meh... não é uma bateria ou baixo, né, amores?!), mas o bambolê aéreo que fica no teto das coisas, pendurado por uma faixa/corda. Fiz uma aula, gostei, voltei, conheci uma menina que fazia bem bonito, perguntei há quanto tempo ela fazia, 3 meses, fiquei “uau”, ela deu a dica de fazer 2 vezes por semana, pensei “ok”, rola, 6 meses depois eu já estava fazendo pelo menos 3 vezes por semana, sendo que, desses três dias, 2 eu fazia 3 aulas seguidas. Atualmente são 5 dias (quando dá tudo certo).

Obsessão.

Não foi um simples gostar, mas surtar numa pira de querer mais, saber mais, fazer mais, pegar mais movimentos e figuras, me divertir com as amigas que fiz lá e sem precisar me preocupar em ser boa (apesar de me cobrar, claro. Quem nunca?!). Me apaixonei pelos calos das minhas mãos, que cuido com muito carinho, tornando-os maiores e mais fortes. Fico encantada com cada roxo e hematoma e adoro o corpo musculoso que ganhei, que jamais achei que teria.

Antes disso teve o fusion belly dance (também conhecido como tribal fusion). Esse era um amor adormecido dos meus 20 e poucos anos, mas que fui aprender pós-pandemia. Fazia 548746351 aulas de fusion, de dança do ventre (é a base de tudo, nem curto tanto assim) e até jazz funk. Tudo porque queria mais, saber mais, fazer mais, pegar mais movimentos e figuras, me divertir com as amigas que fiz lá e sem precisar me preocupar em ser boa. Inclusive, ano passado fiz um workshop com uma das “criadoras” (não é exatamente, mas vou generalizar aqui) do estilo, a Zoe Jakes, e foi tipo realizar um sonho que nem sabia que tinha.

Obsessão.

E antes disso tive os quadrinhos. Mas aí a pegada foi diferente. Porque eu queria ser BOA. Sacar mesmo da coisa. Pô, sou mulher, então preciso manjar pra galera me respeitar.

Sabe, eu sempre falo isso, mas na real memo foi porque eu sou obsessiva com o que eu gosto. Uma pessoa não obsessiva não faz um desafio diário de ler uma HQ por dia, escrever um texto, tirar uma foto (com produção) e postar por DOIS FUCKING ANOS.

Sim, claro que tinha em mente ganhar reconhecimento no mercado e abrir portas para trabalhos. Mas, na real memo, eu queria saber TUDO. Conhecer o máximo de quadrinhos possível, vários estilos, desenvolver senso crítico, saber o que era considerado melhor e pior, conversar sobre, devorar tudo.

Obsessão.

Todos os dias, até hoje, estou lendo uma HQ. Atualmente mais no formato webtoon, e muitas coisas que nem sei se um dia virão pro Brasil. E tô nessa desde o #365hqs, todos os dias lendo. As pessoas podem até achar que isso é muito intelectual e descolada, mas não é. Assim como tem muita coisa boa, tem uma infinidade de coisas ruins ou duvidosas.

Tenho plena consciência de que isso traz uma bela dose de alienação. Somado ao fato de ter criado ojeriza ao hype, assisto pouquíssimas séries, filmes e animes. E quando falo pouco é pique uns 2 ou 3 filmes no ano, se panz uns 2 seriados e anime. Os que me salvam são música e podcast, sendo que esse último escuto muitos jornalísticos, então o senso crítico e as informações ainda existem nessa cabeça.

Reafirmo aqui que não é saudável uma pessoa que consome apenas uma mídia, e pior ainda apenas um estilo dessa mídia. Pluralidade é essencial pro ser humano ter um mínimo de bom senso. Mínimo! Não romantizo de forma alguma meu consumo de quadrinhos, que se salva por eu ter todas as outras obsessões.

Mas cês entenderam o que é obsessão? Todas as minhas me dão prazer e naturalmente foco nelas, sem ser algo consciente, just go with the flow.

Foi curioso notar que às vezes isso incomoda as pessoas, afinal, “não é normal” ... bem, talvez não seja, pois tenho outra obsessão, que é a música. Se não estou ouvindo algo, estou pensando em alguma música, sempre. Tenha certeza de que, se estou conversando contigo, estou com alguma música na cabeça. É uma delícia.

Obsessão.


 

Eu sinto falta...

  Eu tenho uma melhor amiga que só posta desgraça em seus stories. Sempre algum assalto ou acontecimento mundial em que ela repreende fort...