terça-feira, 11 de agosto de 2026

Eu sinto falta...

 

Eu tenho uma melhor amiga que só posta desgraça em seus stories. Sempre algum assalto ou acontecimento mundial em que ela repreende fortemente o “isso tudo aí que está acontecendo”.

Eu tenho saudades dela. Muito mesmo. A gente se conhece desde a época do colégio, e ela me ensinou TANTO. Amadureci e aprendi o que é amizade, respeito, bom senso com ela.

Nos afastamos com o passar dos anos, por N motivos. Mas sempre quando dá, conversamos ou nos vemos. Ela será eternamente especial pra mim, mesmo que a gente discorde de várias coisas, inclusive posicionamentos políticos.

Daí eu volto aos vídeos que ela posta.

O que será que o algoritmo mostra pra ela? Que tipo de notícias ela consome? A gente já sabe muito bem a mecânica das redes sociais e como isso está influenciando a nossa sociedade. Como o extremismo e conservadorismo, o ódio aos outros foram catapultados pelos views. É emocionante, nos causa horror, terror, medo, ódio, vontade de gritar e acabar com o mundo.

Vou compartilhar para que todos vejam esse absurdo.

Temos que fazer algo para mudar essa realidade.

Mudar essa realidade para algo melhor


Mas o que é melhor?


Complicado quando cada um tem uma visão do que é ser melhor, estar melhor, se sentir melhor, é melhor. Me tire como exemplo: adoro ficar sozinha quieta no meu canto. Às vezes, gosto de sair, beber com os amigos. Amo dançar e praticar circo. Isso é estar e me sentir melhor.

Tem uma galera que ama multidão, bagunça, fervo! Deu 22h, tá empacotada na cama, recebe uma mensagem de amigo falando “Vamo?” e responde “Vamo!”

Deuzemais (mas também amo quem é assim).

Só que aí cê fala: não, Belle. O que a gente quer dizer é um mundo melhor no qual todos tenham casa, comida, diversão, um emprego decente com um bom salário, uma família decente, ninguém seja pobre, não seja ladrão, não use drogas, não invada casa, nem países, que não faça guerra, só amor.

...

 

Não sei se compartilhar vídeos vai trazer alguma dessas coisas. Sei do resultado que estamos tendo. Mas o que eu queria falar é que sinto falta da minha amiga. De conversar e dar risada com ela, de saber da vida dela, se vai bem, como tá o casamento, a cidade em que ela está morando, as festas ou bares que ela foi, o que está comendo, se foi a algum parque, saber dela.

Isso não é ser superficial ou alienada. Uma coisa não tem (ou não deveria) ter nada a ver com a outra. Notícia sensacionalista que causa repulsa e ódio deveria ser consumida em jornais, lugares de notícias, com sua devida edição. Redes sociais deveriam ser o lugar para socializar, ter contato com o outro, não para se informar.

Você até pode dizer que é uma ferramenta útil para chegar a mais pessoas e compartilhar outros conhecimentos, e eu concordo. Mas também temos que concordar que há um limite para isso, por mais que as pessoas odeiem o limite. Falam que isso é muito próximo da censura.

suspiro

Tá vendo? Enquanto escrevo que tenho saudades da minha amiga, já passei pelas temáticas do sensacionalismo, algoritmo, censura, liberdade de expressão e a banalização do jornalismo.

Tudo no mesmo lugar ao mesmo tempo.

Pois temos tantos estímulos e conteúdo que a cabeça vai para mil lugares (não à toa todo mundo aí tá com TDAH – tem cura pra essa doença?).

suspiro

Eu sinto falta da minha amiga.

 

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