"Nem todos que vagueiam estão perdidos" em sindarin
Olha, nerd
é um troço que cansou pra caralho. Acho que todo mundo cansou, né? Se você
ainda tá de boa, véi, vá ver isso aí.
Essa coisa de ter orgulho de ser nerd, de ler quadrinhos de super-heróis e mangás pra caralho, jogar joguinhos eletrônicos, cartas (Magic, Pokémon, Yu-Gi-Oh, sei lá), tabuleiro pra caralho, assistir animes e seriados e filmes “nerds” pra caralho... Nossa, já deu, minha gente!
Pelamordetudo, espero que cê tenha outros
hobbies e orgulhos nessa vida.
Contudo
Porém
Todavia
Tudo isso
pra falar que meu ápice de nerdice é quando me emociono horrores, ao ponto de
me arrepiar todinha, quando Hansi Kürsch, vocalista do Blind Guardian, canta
“IIIIII’LL KEEEEEEEP THE RIIIIING! ‘Till I die!” com todas as forças que seus
pulmões possuem na música Lord of the Rings.
Eu não sei
gostar muito de algo. Eu fico obcecada. Não, não é hiperfoco e não venha me
diagnosticar com nada. Você, provavelmente, não é um profissional e, se for, é
um dos ruins, porque pra diagnosticar algo precisa de tempo de consulta, e não
de um texto no blog/substack.
Estamos
todos de acordo?
Sim?
Ok.
Sigamos.
Obsessão.
Eu me toquei disso quando comecei a fazer lira no ano passado. Quando falo
lira, não é o instrumento (que acho até meio meh... não é uma bateria ou baixo,
né, amores?!), mas o bambolê aéreo que fica no teto das coisas, pendurado por
uma faixa/corda. Fiz uma aula, gostei, voltei, conheci uma menina que fazia bem
bonito, perguntei há quanto tempo ela fazia, 3 meses, fiquei “uau”, ela deu a
dica de fazer 2 vezes por semana, pensei “ok”, rola, 6 meses depois eu já
estava fazendo pelo menos 3 vezes por semana, sendo que, desses três dias, 2 eu
fazia 3 aulas seguidas. Atualmente são 5 dias (quando dá tudo certo).
Obsessão.
Não foi um
simples gostar, mas surtar numa pira de querer mais, saber mais, fazer mais,
pegar mais movimentos e figuras, me divertir com as amigas que fiz lá e sem
precisar me preocupar em ser boa (apesar de me cobrar, claro. Quem nunca?!). Me
apaixonei pelos calos das minhas mãos, que cuido com muito carinho, tornando-os
maiores e mais fortes. Fico encantada com cada roxo e hematoma e adoro o corpo
musculoso que ganhei, que jamais achei que teria.
Antes disso
teve o fusion belly dance (também conhecido como tribal fusion). Esse era um
amor adormecido dos meus 20 e poucos anos, mas que fui aprender pós-pandemia.
Fazia 548746351 aulas de fusion, de dança do ventre (é a base de tudo, nem
curto tanto assim) e até jazz funk. Tudo porque queria mais, saber mais, fazer
mais, pegar mais movimentos e figuras, me divertir com as amigas que fiz lá e
sem precisar me preocupar em ser boa. Inclusive, ano passado fiz um workshop
com uma das “criadoras” (não é exatamente, mas vou generalizar aqui) do estilo,
a Zoe Jakes, e foi tipo realizar um sonho que nem sabia que tinha.
Obsessão.
E antes
disso tive os quadrinhos. Mas aí a pegada foi diferente. Porque eu queria ser BOA. Sacar mesmo da coisa. Pô, sou mulher, então preciso manjar pra galera me
respeitar.
Sabe, eu
sempre falo isso, mas na real memo foi porque eu sou obsessiva com o que eu
gosto. Uma pessoa não obsessiva não faz um desafio diário de ler uma HQ por
dia, escrever um texto, tirar uma foto (com produção) e postar por DOIS FUCKING ANOS.
Sim, claro
que tinha em mente ganhar reconhecimento no mercado e abrir portas para
trabalhos. Mas, na real memo, eu queria saber TUDO. Conhecer o máximo de
quadrinhos possível, vários estilos, desenvolver senso crítico, saber o que era
considerado melhor e pior, conversar sobre, devorar tudo.
Obsessão.
Todos os
dias, até hoje, estou lendo uma HQ. Atualmente mais no formato webtoon, e
muitas coisas que nem sei se um dia virão pro Brasil. E tô nessa desde o
#365hqs, todos os dias lendo. As pessoas podem até achar que isso é muito
intelectual e descolada, mas não é. Assim como tem muita coisa boa, tem uma
infinidade de coisas ruins ou duvidosas.
Tenho plena
consciência de que isso traz uma bela dose de alienação. Somado ao fato de ter
criado ojeriza ao hype, assisto pouquíssimas séries, filmes e animes. E quando
falo pouco é pique uns 2 ou 3 filmes no ano, se panz uns 2 seriados e anime. Os
que me salvam são música e podcast, sendo que esse último escuto muitos
jornalísticos, então o senso crítico e as informações ainda existem nessa
cabeça.
Reafirmo
aqui que não é saudável uma pessoa que consome apenas uma mídia, e pior ainda
apenas um estilo dessa mídia. Pluralidade é essencial pro ser humano ter um
mínimo de bom senso. Mínimo! Não romantizo de forma alguma meu consumo de
quadrinhos, que se salva por eu ter todas as outras obsessões.
Mas cês
entenderam o que é obsessão? Todas as minhas me dão prazer e naturalmente foco
nelas, sem ser algo consciente, just go with the flow.
Foi curioso
notar que às vezes isso incomoda as pessoas, afinal, “não é normal” ... bem,
talvez não seja, pois tenho outra obsessão, que é a música. Se não estou
ouvindo algo, estou pensando em alguma música, sempre. Tenha certeza de que, se
estou conversando contigo, estou com alguma música na cabeça. É uma
delícia.
Após ter
postado a mensagem não enviada pro Max sobre “O Oposto do Robô”, ele me chamou
a atenção para o fato de que é a segunda vez que volto a escrever por causa
dele (que não falou desse jeito, mas, no final das contas, é isso aí).
Isso me
deixou pensativa sobre obras que cutucam a gente a tal ponto que nos fazem
refletir e, às vezes, produzir (nossa, que coisa horrível eu pensar que é uma
“produção”). Pois minha primeira reação ao ler algo assim é organizar meus
pensamentos por meio de palavras escritas. Esse é um método de interpretação
que me vem naturalmente. Mas, ouvindo o podcast Alô, Ciência (episódio #154), descobri que o ato de escrever à mão é
muito melhor para o aprendizado, além de ser uma forma terapêutica (que não
substitui um profissional) de colocar tudo pra fora e organizar esses
pensamentos.
É por meio
da escrita que lembro melhor o que senti, o que entendi e assimilei de uma
obra. Nem sempre lembro da história em si, mas das sensações enquanto
fazia tal leitura. E, parando pra pensar — afinal, estou organizando meus
pensamentos aqui escrevendo — sentir, às vezes, é algo que tenho dificuldade.
Em alguns casos, não só consigo entender aquela passagem como também me
emocionar. Outras vezes, tenho uma dificuldade tão grande que fico lendo e
relendo pra entender a motivação de um personagem ou o que o autor quis dizer
com aquilo. É algo bem racional e chega a ser cansativo. Daí, tem vezes que só
deixo de lado e penso que talvez o autor não tenha sido bem-sucedido em
transpor aquilo que ele queria.
Claro, isso
vai de pessoa pra pessoa, o que nos faz chegar ao ponto em que nem toda obra
que é tida como A obra, O clássico, AQUELA que você tem que ler vai realmente
fazer sentido pra você. Claro, nem todo mundo tem o superpoder de interpretação
de texto e não sacar que O Império, de Star Wars, é fascista.
Paciência.
Mas
não tô falando dessa galera que deveria voltar pra escola e prestar atenção nas
aulas de português. Tô falando com que me interessa, aquele que sabe ligar lê
com cré. Tô falando de vivência, de ponto de vista e, talvez, personalidade.
Com o
passar dos anos, comecei a pegar um certo ranço dessa coisa de “melhor obra”.
Algumas coisas que li que mexeram comigo foram consideradas por outros como
ruins.
Sério.
A pessoa simplesmente achou fraco e ruim. Isso me fez refletir
tanto. E voltei à conclusão que já sabia há tempo: você não é o público. E,
sinceramente, tudo bem, mas não vem falar que é ruim porque não conversou com
você. Isso é de uma prepotência bem chata (mas algumas coisas são ruins mesmo)
Por isso, a
dificuldade de sentir é, infelizmente, algo nem sempre levado em conta
racionalmente na hora de se classificar uma obra. E isso me cansa nesse meio.
Muito.
Mas
obrigada, Max, e muitas outras autoras e autores, por me fazerem ter vontade de
escrever. Vocês entenderam este texto.
Terminei de ler O Oposto e, claro, ele me fez pensar em
muitas coisas. Ele me forçou a me despir do meu cinismo cuidadosamente vestido
pela profissão de editora. Ou melhor, desde lá atrás, quando fui “forçada” a
fazer Direito em vez de seguir o caminho que queria.
O curioso é que naturalmente terminei seguindo o caminho que
queria. Porém, cínica. E acho que esse é o ponto que você queria chegar com O
Oposto. Ou melhor, com todas as suas obras.
Você também busca botar pra fora toda a sua dor e, de alguma
forma, conseguir lidar com ela, seu demônio-melhor-amigo-companheiro-de-viagem.
Não acho que seja sua melhor obra, mas entenda que isso não
significa que ela seja ruim. Bem pelo contrário. É excelente! Mas eu tenho
certeza de que você criará algo muito incrível quando conseguir se permitir
escrever coisas maravilhosas, deixando de lado aqueles que perderam a
capacidade de sonhar, deixaram de ser criança e se tornaram… cínicas.
Você tem muito o que falar, criar, sonhar e fazer, colocando
no papel e nanquim — eita
Acabou a energia aqui
Pera
Já volto
(Quando escrevi este texto, estávamos na fase em que não podia chover na locomotiva do Brasil que a energia faltava. Então gostaria de agradecer à ENEL pelo primoroso final do texto.)
E lá vamos
nós de novo e mais uma vez para um novo troço comunicativo.
Oi, sou a
Belle Felix, trabalho com quadrinhos há mais de 10 anos e falo dessa joça há
mais tempo ainda. Já tive canal de youtube, escrevi resenhas por aí, tive
podcast, perfil de instagram dedicado ao tema e tudo mais. Inclusive, no
instagram eu criei o #365hqs, que era um desafio de ler, comentar e postar uma
HQ todos os dias. 365, se você não notou, é a quantidade de dias em um ano não
bissexto. E realizei esse desafio por dois anos seguidos, ou seja, foram 730
postagens só de HQs. Se você quiser lê-las, vai dando scroll aí no feed do
instagram que um dia cê chega lá. Boa sorte.
Mas aí que
faltava um meio, né? Faltava um blog. E por isso que criei isto aqui, para falar de
HQs.
Mentira.
Só enquanto
escrevia que me toquei que ainda não tinha tido um blog só de quadrinhos.
Mentira. De
novo.
O Plano
Infalível teve um blog.
Ah! O Plano
Infalível era o nome do meu canal de youtube AND blog sobre quadrinhos.
Quer dizer,
já fiz de tudo um pouco. Mas parei de criar conteúdo sobre quadrinhos quando
comecei a trabalhar como editora. Parei porque acho meio delicado (pra dizer o
mínimo) falar de hqs quando se trabalha numa editora, pelo menos no quesito
resenhas, que é o que mais faço, já que sou naturalmente palestrinha e tenho que
falar das coisas dos outros. Mas aí pega mal, né? Sei lá... vai que não gosto
de algo? Não dá pra falar, né? Também poderia ser só chapa-branca, e fiz isso
com o podcast.
Mas aí,
véi, cê não tem noção do trabalho que é fazer um BOM conteúdo sobre qualquer
coisa. Demanda tempo, paciência, boa vontade e interesse em lidar com seres
humanos, ou seja, muita coisa que já não tenho mais (cê escolhe aí o que ainda
tenho).
Só que fui lendo uns troços e queria falar pro autor o que achei. Eu podia só
mandar uma DM? Claro! Mas fui escrevendo o texto e a coisa foi crescendo
(ui!) e achei que poderia virar algo maior (ui!2). Contudo, logo veio o
pensamento: porra, sem tempo, irmão, não vou criar nada.
Mentira.
Comecei a
pensar num layout de postagem em carrossel no Instagram. Dei uma olhada no
Canva, testei uns negócios e, porra... trabalho da porra...
Daí li uma
outra HQ e surgiu outro texto. Mas deixei quieto. Só que fiquei pensando: pô,
eu gosto de me comunicar (com seres humanos? hummm...), tanto que até comecei
aqueles vídeos lá (será que um dia volto a fazer?). Por que parei de fazer
isso?
Pensando
bastante e, para além de questões pessoais, me toquei que essa realidade de
algoritmo tava matando toda e qualquer vontade de fazer algo novo. Muito além
da IA, me veio o pensamento do "pra quê?". Eu sou muito uma pessoa
que precisa ter um motivo pra fazer algo, e qualquer motivo, não importa qual.
Antes era falar sobre quadrinhos para que mais pessoas tivessem contato com a
mídia. Hoje eu meio que já larguei pro alto e cada um que lute pra conhecer
algo novo. Muita gente chata pra caralho e que nem quero cruzar caminho. Porém, claro que há pessoas legais também nesse bolo, mas que eu jamais conseguirei
chegar nelas porque tudo depende de algoritmo. E fodace, né? Porque aí vira um
"eu que lute" e eu já luto contra muitas coisas.
Daí pensei:
quer saber? Vou criar um blog que, TEORICAMENTE, não sofre com algoritmos (tem
o SEO, mas deixa quieto, deixa baixo) e só escrever. Pronto. Resolvido.
Mentira.
Ia fazer um
Medium, mas não era o layout que eu queria (mesmo fazendo de um jeito que não
me dê trabalho, eu penso em layout. Olha como sou perfeccionista rs rs rs).
Pensei em wordpress, mas é um troço simples e trabalhoso. Até que aceitei: bora
pro blogspot memo que ganho mais.
Nossa,
textão. Fui olhar aqui um e-mail e já me perdi na linha do raciocínio. Não, não
tenho TDAH.
Mas, sim,
as postagens aqui vão ser desse jeito. Os textos eram pra ser uma DM pro autor,
então não são resenhas. Você que não leu a obra talvez nem entenda, e problema
teu. Se quiser entender, arranje a HQ e volte aqui pra ler. E você, autor, se
quiser depois trocar uma ideia, pode ser por aqui, pela DM ou depois em algum
barzinho da vida.
Escrevi
demais. Por enquanto é isso e qualquer coisa volto aqui pra falar mais.