terça-feira, 12 de maio de 2026

Aqueles que te fazem escrever

 


Eu falei "Belle"

Após ter postado a mensagem não enviada pro Max sobre “O Oposto do Robô”, ele me chamou a atenção para o fato de que é a segunda vez que volto a escrever por causa dele (que não falou desse jeito, mas, no final das contas, é isso aí).

Isso me deixou pensativa sobre obras que cutucam a gente a tal ponto que nos fazem refletir e, às vezes, produzir (nossa, que coisa horrível eu pensar que é uma “produção”). Pois minha primeira reação ao ler algo assim é organizar meus pensamentos por meio de palavras escritas. Esse é um método de interpretação que me vem naturalmente. Mas, ouvindo o podcast Alô, Ciência (episódio #154), descobri que o ato de escrever à mão é muito melhor para o aprendizado, além de ser uma forma terapêutica (que não substitui um profissional) de colocar tudo pra fora e organizar esses pensamentos.

É por meio da escrita que lembro melhor o que senti, o que entendi e assimilei de uma obra. Nem sempre lembro da história em si, mas das sensações enquanto fazia tal leitura. E, parando pra pensar ­­— afinal, estou organizando meus pensamentos aqui escrevendo — sentir, às vezes, é algo que tenho dificuldade. Em alguns casos, não só consigo entender aquela passagem como também me emocionar. Outras vezes, tenho uma dificuldade tão grande que fico lendo e relendo pra entender a motivação de um personagem ou o que o autor quis dizer com aquilo. É algo bem racional e chega a ser cansativo. Daí, tem vezes que só deixo de lado e penso que talvez o autor não tenha sido bem-sucedido em transpor aquilo que ele queria.

Claro, isso vai de pessoa pra pessoa, o que nos faz chegar ao ponto em que nem toda obra que é tida como A obra, O clássico, AQUELA que você tem que ler vai realmente fazer sentido pra você. Claro, nem todo mundo tem o superpoder de interpretação de texto e não sacar que O Império, de Star Wars, é fascista. 

Paciência. 

Mas não tô falando dessa galera que deveria voltar pra escola e prestar atenção nas aulas de português. Tô falando com que me interessa, aquele que sabe ligar lê com cré. Tô falando de vivência, de ponto de vista e, talvez, personalidade.

Com o passar dos anos, comecei a pegar um certo ranço dessa coisa de “melhor obra”. Algumas coisas que li que mexeram comigo foram consideradas por outros como ruins. 

Sério. 

A pessoa simplesmente achou fraco e ruim. Isso me fez refletir tanto. E voltei à conclusão que já sabia há tempo: você não é o público. E, sinceramente, tudo bem, mas não vem falar que é ruim porque não conversou com você. Isso é de uma prepotência bem chata (mas algumas coisas são ruins mesmo)

Por isso, a dificuldade de sentir é, infelizmente, algo nem sempre levado em conta racionalmente na hora de se classificar uma obra. E isso me cansa nesse meio. Muito.

Mas obrigada, Max, e muitas outras autoras e autores, por me fazerem ter vontade de escrever. Vocês entenderam este texto.

Um comentário:

  1. Acho válido retornar as obras vez ou outra para ter uma nova reflexão. Mudamos tanto com o passar do tempo que muitas obras que achamos ruins podem ter um novo significado na nossa vida com as experiências adquiridas. Nunca ocorreu comigo, ainda, mas seria possível que uma obra que consideramos bastante no passado vir a se tornar irrelevante ? E quando passamos a conhecer um pouco mais seu autor ? Qual a dua opinião ?

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