sexta-feira, 29 de maio de 2026

Nossa, que menina talentosa!

Chega salivei!

 

Esses dias me peguei pensando sobre talento.


Eu já sei há algum tempo que “grandes coisas você ter talento”. Entenda, não é que eu tenha recalque em relação a algo, mas é que, se não treinar, talento não serve lá de muita coisa.


Quando criança, eu tinha talento pra uma pá de coisa. Mas aí só fui praticar memo a partir de uns 30. Daí que eu chego numa espécie de platô, ou seja, vou até onde meu talento permite, e não é muito longe, pois, como nunca treinei, meu corpo e mente não permitem. O corpo não consegue acompanhar, os músculos nunca foram treinados para aquilo, fora a fadiga do tempo, o tal do envelhecer.

E a mente? Nossa, já é tanta coisa na cabeça que ela nem funciona direito. Ela vai para todos os lugares ao mesmo tempo. Até posso pegar a lógica da coisa, mas daí a achar a lógica na hora da prática são outros 500.

Então, se eu tivesse sido estimulada – ou outra pessoa talentosa – desde criança, eu seria boa naquilo?


Sim! Claro!


Da mesma forma que uma criança não talentosa também seria, pois o ponto é o estímulo, a prática, a persistência. E, às vezes, a depender do ambiente e das pessoas ao redor, ser talentosa é até ruim, pois, como as coisas vêm com mais facilidade, não se empenha tanto. Fora que também pode se tornar um lugar de violência: se você é boa assim, por que não consegue ir mais longe?

Quase ninguém sabe disso, só minha mãe, mas, quando eu tinha uns 10, 11 anos, eu participei das Olimpíadas da Matemática (ninguém mais tem dúvida que sou nerd, certo? Certo). Cheguei até a etapa regional sem ter o devido preparo. Tive ajuda da minha mãe, que era professora de matemática, um professor de turmas mais avançadas e muitos livros.

Mas não foi o bastante, por ser um estudo muito específico e que precisa de um acompanhamento próprio. Eu precisaria de outra metodologia de estudo, outros professores, outro ambiente familiar e escolar e, quem sabe, eu teria ido mais longe.

A bem da verdade é que eu não ligava muito pra essas Olimpíadas. Não fazia muito sentido na minha vida. Tipo, se eu ganhasse, rolaria o quê? Nem sei se, na época, tinha prêmio em dinheiro ou coisa assim. O que até me interessava era ganhar aprovação dos meus pais. Mas parece que isso não foi estímulo o bastante, não é meeeixmo.

Atualmente, como vocês podem ter notado, não trabalho na parte de exatas, não virei engenheira, astronauta, uma gênia da computação ou qualquer coisa do gênero. Na real, eu não podia ter ido parar num lugar mais distante. Fui para o Direito (deuzemais praticar isso aí) e Comunicação, e ainda me especializei em quadrinhos. Ou seja, fui trabalhar com cultura garantindo que nunca conseguiria fazer dinheiro na vida – quem consegue ser bem-sucedido financeiramente com cultura é exceção, e exceção não faz regra, então não venha encher o meu saco; ou quem vem de família já inserida na área e já bem-sucedida.

Gente, eu uso muito travessão, mas meu texto não é escrito pelo ChatGPT, tá? É que eu gosto de separar meus pensamentos também com o uso dele.

Me lembrei que tive um colega de sala de aula que, aos seus 7 anos, tinha decorado todas as bandeiras do mundo. Uau! Gênio! Me pergunto onde ele foi parar conseguindo decorar tanta coisa... Espero que tenha feito algum concurso público, já que não exigem tanta lógica, mas basicamente decoreba.

E, seguindo essa lógica do não estímulo, por ter feito anos de terapia, eu sei que o “e se” não existe, então não sofro pelo passado com falta de encorajamento e apoio específico. Na real, eu vejo que agora posso praticar algo só porque sim. Porque é divertido, prazeroso, me faz bem. Nada disso seria pra ganhar dinheiro, afinal, o sistema em que estamos inseridos mata toda e qualquer forma de prazer, e posso falar isso com muito lugar de fala.

Será que, se eu tivesse ido mais longe na Olimpíada, eu seria mais bem-sucedida? Será que, se eu tivesse praticado todas as coisas para as quais tenho talento, eu “estaria mais longe”?

Não sei, nunca vou saber e tenho raiva de quem sabe (mentira, eu só tenho raiva de gente babaca que me enche o saco). O que eu sei é que sou debochada, gosto do meu cabelo rosa, de artes e tenho boa resistência a álcool. Ah! E caruru e bobó de camarão. Pode não parecer, mas setembro tá aí chegando! Me chamem pra comer caruru que eu vou amar!

quinta-feira, 21 de maio de 2026

Nerd pra caralho!

"Nem todos que vagueiam estão perdidos" em sindarin

Olha, nerd é um troço que cansou pra caralho. Acho que todo mundo cansou, né? Se você ainda tá de boa, véi, vá ver isso aí. 

Essa coisa de ter orgulho de ser nerd, de ler quadrinhos de super-heróis e mangás pra caralho, jogar joguinhos eletrônicos, cartas (Magic, Pokémon, Yu-Gi-Oh, sei lá), tabuleiro pra caralho, assistir animes e seriados e filmes “nerds” pra caralho... Nossa, já deu, minha gente!

Pelamordetudo, espero que cê tenha outros hobbies e orgulhos nessa vida. 

Contudo

Porém

Todavia

Tudo isso pra falar que meu ápice de nerdice é quando me emociono horrores, ao ponto de me arrepiar todinha, quando Hansi Kürsch, vocalista do Blind Guardian, canta “IIIIII’LL KEEEEEEEP THE RIIIIING! ‘Till I die!” com todas as forças que seus pulmões possuem na música Lord of the Rings.

Nerd pra caralho.

Deuzemais...

 


terça-feira, 19 de maio de 2026

No, no es amor. Lo que tú sientes se llama obsesión

 


 Eu não sei gostar muito de algo. Eu fico obcecada. Não, não é hiperfoco e não venha me diagnosticar com nada. Você, provavelmente, não é um profissional e, se for, é um dos ruins, porque pra diagnosticar algo precisa de tempo de consulta, e não de um texto no blog/substack.

Estamos todos de acordo?
Sim?
Ok.
Sigamos.

Obsessão. 

Eu me toquei disso quando comecei a fazer lira no ano passado. Quando falo lira, não é o instrumento (que acho até meio meh... não é uma bateria ou baixo, né, amores?!), mas o bambolê aéreo que fica no teto das coisas, pendurado por uma faixa/corda. Fiz uma aula, gostei, voltei, conheci uma menina que fazia bem bonito, perguntei há quanto tempo ela fazia, 3 meses, fiquei “uau”, ela deu a dica de fazer 2 vezes por semana, pensei “ok”, rola, 6 meses depois eu já estava fazendo pelo menos 3 vezes por semana, sendo que, desses três dias, 2 eu fazia 3 aulas seguidas. Atualmente são 5 dias (quando dá tudo certo).

Obsessão.

Não foi um simples gostar, mas surtar numa pira de querer mais, saber mais, fazer mais, pegar mais movimentos e figuras, me divertir com as amigas que fiz lá e sem precisar me preocupar em ser boa (apesar de me cobrar, claro. Quem nunca?!). Me apaixonei pelos calos das minhas mãos, que cuido com muito carinho, tornando-os maiores e mais fortes. Fico encantada com cada roxo e hematoma e adoro o corpo musculoso que ganhei, que jamais achei que teria.

Antes disso teve o fusion belly dance (também conhecido como tribal fusion). Esse era um amor adormecido dos meus 20 e poucos anos, mas que fui aprender pós-pandemia. Fazia 548746351 aulas de fusion, de dança do ventre (é a base de tudo, nem curto tanto assim) e até jazz funk. Tudo porque queria mais, saber mais, fazer mais, pegar mais movimentos e figuras, me divertir com as amigas que fiz lá e sem precisar me preocupar em ser boa. Inclusive, ano passado fiz um workshop com uma das “criadoras” (não é exatamente, mas vou generalizar aqui) do estilo, a Zoe Jakes, e foi tipo realizar um sonho que nem sabia que tinha.

Obsessão.

E antes disso tive os quadrinhos. Mas aí a pegada foi diferente. Porque eu queria ser BOA. Sacar mesmo da coisa. Pô, sou mulher, então preciso manjar pra galera me respeitar.

Sabe, eu sempre falo isso, mas na real memo foi porque eu sou obsessiva com o que eu gosto. Uma pessoa não obsessiva não faz um desafio diário de ler uma HQ por dia, escrever um texto, tirar uma foto (com produção) e postar por DOIS FUCKING ANOS.

Sim, claro que tinha em mente ganhar reconhecimento no mercado e abrir portas para trabalhos. Mas, na real memo, eu queria saber TUDO. Conhecer o máximo de quadrinhos possível, vários estilos, desenvolver senso crítico, saber o que era considerado melhor e pior, conversar sobre, devorar tudo.

Obsessão.

Todos os dias, até hoje, estou lendo uma HQ. Atualmente mais no formato webtoon, e muitas coisas que nem sei se um dia virão pro Brasil. E tô nessa desde o #365hqs, todos os dias lendo. As pessoas podem até achar que isso é muito intelectual e descolada, mas não é. Assim como tem muita coisa boa, tem uma infinidade de coisas ruins ou duvidosas.

Tenho plena consciência de que isso traz uma bela dose de alienação. Somado ao fato de ter criado ojeriza ao hype, assisto pouquíssimas séries, filmes e animes. E quando falo pouco é pique uns 2 ou 3 filmes no ano, se panz uns 2 seriados e anime. Os que me salvam são música e podcast, sendo que esse último escuto muitos jornalísticos, então o senso crítico e as informações ainda existem nessa cabeça.

Reafirmo aqui que não é saudável uma pessoa que consome apenas uma mídia, e pior ainda apenas um estilo dessa mídia. Pluralidade é essencial pro ser humano ter um mínimo de bom senso. Mínimo! Não romantizo de forma alguma meu consumo de quadrinhos, que se salva por eu ter todas as outras obsessões.

Mas cês entenderam o que é obsessão? Todas as minhas me dão prazer e naturalmente foco nelas, sem ser algo consciente, just go with the flow.

Foi curioso notar que às vezes isso incomoda as pessoas, afinal, “não é normal” ... bem, talvez não seja, pois tenho outra obsessão, que é a música. Se não estou ouvindo algo, estou pensando em alguma música, sempre. Tenha certeza de que, se estou conversando contigo, estou com alguma música na cabeça. É uma delícia.

Obsessão.


 

terça-feira, 12 de maio de 2026

Aqueles que te fazem escrever

 


Eu falei "Belle"

Após ter postado a mensagem não enviada pro Max sobre “O Oposto do Robô”, ele me chamou a atenção para o fato de que é a segunda vez que volto a escrever por causa dele (que não falou desse jeito, mas, no final das contas, é isso aí).

Isso me deixou pensativa sobre obras que cutucam a gente a tal ponto que nos fazem refletir e, às vezes, produzir (nossa, que coisa horrível eu pensar que é uma “produção”). Pois minha primeira reação ao ler algo assim é organizar meus pensamentos por meio de palavras escritas. Esse é um método de interpretação que me vem naturalmente. Mas, ouvindo o podcast Alô, Ciência (episódio #154), descobri que o ato de escrever à mão é muito melhor para o aprendizado, além de ser uma forma terapêutica (que não substitui um profissional) de colocar tudo pra fora e organizar esses pensamentos.

É por meio da escrita que lembro melhor o que senti, o que entendi e assimilei de uma obra. Nem sempre lembro da história em si, mas das sensações enquanto fazia tal leitura. E, parando pra pensar ­­— afinal, estou organizando meus pensamentos aqui escrevendo — sentir, às vezes, é algo que tenho dificuldade. Em alguns casos, não só consigo entender aquela passagem como também me emocionar. Outras vezes, tenho uma dificuldade tão grande que fico lendo e relendo pra entender a motivação de um personagem ou o que o autor quis dizer com aquilo. É algo bem racional e chega a ser cansativo. Daí, tem vezes que só deixo de lado e penso que talvez o autor não tenha sido bem-sucedido em transpor aquilo que ele queria.

Claro, isso vai de pessoa pra pessoa, o que nos faz chegar ao ponto em que nem toda obra que é tida como A obra, O clássico, AQUELA que você tem que ler vai realmente fazer sentido pra você. Claro, nem todo mundo tem o superpoder de interpretação de texto e não sacar que O Império, de Star Wars, é fascista. 

Paciência. 

Mas não tô falando dessa galera que deveria voltar pra escola e prestar atenção nas aulas de português. Tô falando com que me interessa, aquele que sabe ligar lê com cré. Tô falando de vivência, de ponto de vista e, talvez, personalidade.

Com o passar dos anos, comecei a pegar um certo ranço dessa coisa de “melhor obra”. Algumas coisas que li que mexeram comigo foram consideradas por outros como ruins. 

Sério. 

A pessoa simplesmente achou fraco e ruim. Isso me fez refletir tanto. E voltei à conclusão que já sabia há tempo: você não é o público. E, sinceramente, tudo bem, mas não vem falar que é ruim porque não conversou com você. Isso é de uma prepotência bem chata (mas algumas coisas são ruins mesmo)

Por isso, a dificuldade de sentir é, infelizmente, algo nem sempre levado em conta racionalmente na hora de se classificar uma obra. E isso me cansa nesse meio. Muito.

Mas obrigada, Max, e muitas outras autoras e autores, por me fazerem ter vontade de escrever. Vocês entenderam este texto.

segunda-feira, 11 de maio de 2026

O Oposto do Robô

 

Terminei de ler O Oposto e, claro, ele me fez pensar em muitas coisas. Ele me forçou a me despir do meu cinismo cuidadosamente vestido pela profissão de editora. Ou melhor, desde lá atrás, quando fui “forçada” a fazer Direito em vez de seguir o caminho que queria.

O curioso é que naturalmente terminei seguindo o caminho que queria. Porém, cínica. E acho que esse é o ponto que você queria chegar com O Oposto. Ou melhor, com todas as suas obras.

Você também busca botar pra fora toda a sua dor e, de alguma forma, conseguir lidar com ela, seu demônio-melhor-amigo-companheiro-de-viagem.

Não acho que seja sua melhor obra, mas entenda que isso não significa que ela seja ruim. Bem pelo contrário. É excelente! Mas eu tenho certeza de que você criará algo muito incrível quando conseguir se permitir escrever coisas maravilhosas, deixando de lado aqueles que perderam a capacidade de sonhar, deixaram de ser criança e se tornaram… cínicas.

Você tem muito o que falar, criar, sonhar e fazer, colocando no papel e nanquim — eita

Acabou a energia aqui

Pera

Já volto



(Quando escrevi este texto, estávamos na fase em que não podia chover na locomotiva do Brasil que a energia faltava. Então gostaria de agradecer à ENEL pelo primoroso final do texto.)

Nossa, que menina talentosa!

Chega salivei!   Esses dias me peguei pensando sobre talento. Eu já sei há algum tempo que “grandes coisas você ter talento”. Entenda, não ...