Esses dias me peguei pensando sobre talento.
Eu já sei há algum tempo que “grandes coisas você ter talento”. Entenda, não é
que eu tenha recalque em relação a algo, mas é que, se não treinar, talento não
serve lá de muita coisa.
Quando criança, eu tinha talento pra uma pá de coisa. Mas aí só fui praticar memo
a partir de uns 30. Daí que eu chego numa espécie de platô, ou seja, vou até
onde meu talento permite, e não é muito longe, pois, como nunca treinei, meu
corpo e mente não permitem. O corpo não consegue acompanhar, os músculos nunca
foram treinados para aquilo, fora a fadiga do tempo, o tal do envelhecer.
E a mente? Nossa, já é tanta coisa na cabeça que ela nem funciona direito. Ela vai para todos os lugares ao mesmo tempo. Até posso pegar a lógica da coisa, mas daí a achar a lógica na hora da prática são outros 500.
Então, se eu tivesse sido estimulada – ou outra pessoa talentosa – desde criança, eu seria boa naquilo?
Sim! Claro!
Da mesma forma que uma criança não talentosa também seria, pois o ponto é o
estímulo, a prática, a persistência. E, às vezes, a depender do ambiente e das
pessoas ao redor, ser talentosa é até ruim, pois, como as coisas vêm com mais
facilidade, não se empenha tanto. Fora que também pode se tornar um lugar de
violência: se você é boa assim, por que não consegue ir mais longe?
Quase ninguém sabe disso, só minha mãe, mas, quando eu tinha uns 10, 11 anos, eu participei das Olimpíadas da Matemática (ninguém mais tem dúvida que sou nerd, certo? Certo). Cheguei até a etapa regional sem ter o devido preparo. Tive ajuda da minha mãe, que era professora de matemática, um professor de turmas mais avançadas e muitos livros.
Mas não foi o bastante, por ser um estudo muito específico e que precisa de um acompanhamento próprio. Eu precisaria de outra metodologia de estudo, outros professores, outro ambiente familiar e escolar e, quem sabe, eu teria ido mais longe.
A bem da verdade é que eu não ligava muito pra essas Olimpíadas. Não fazia muito sentido na minha vida. Tipo, se eu ganhasse, rolaria o quê? Nem sei se, na época, tinha prêmio em dinheiro ou coisa assim. O que até me interessava era ganhar aprovação dos meus pais. Mas parece que isso não foi estímulo o bastante, não é meeeixmo.
Atualmente, como vocês podem ter notado, não trabalho na parte de exatas, não virei engenheira, astronauta, uma gênia da computação ou qualquer coisa do gênero. Na real, eu não podia ter ido parar num lugar mais distante. Fui para o Direito (deuzemais praticar isso aí) e Comunicação, e ainda me especializei em quadrinhos. Ou seja, fui trabalhar com cultura garantindo que nunca conseguiria fazer dinheiro na vida – quem consegue ser bem-sucedido financeiramente com cultura é exceção, e exceção não faz regra, então não venha encher o meu saco; ou quem vem de família já inserida na área e já bem-sucedida.
Gente, eu uso muito travessão, mas meu texto não é escrito pelo ChatGPT, tá? É que eu gosto de separar meus pensamentos também com o uso dele.
Me lembrei que tive um colega de sala de aula que, aos seus 7 anos, tinha decorado todas as bandeiras do mundo. Uau! Gênio! Me pergunto onde ele foi parar conseguindo decorar tanta coisa... Espero que tenha feito algum concurso público, já que não exigem tanta lógica, mas basicamente decoreba.
E, seguindo essa lógica do não estímulo, por ter feito anos de terapia, eu sei que o “e se” não existe, então não sofro pelo passado com falta de encorajamento e apoio específico. Na real, eu vejo que agora posso praticar algo só porque sim. Porque é divertido, prazeroso, me faz bem. Nada disso seria pra ganhar dinheiro, afinal, o sistema em que estamos inseridos mata toda e qualquer forma de prazer, e posso falar isso com muito lugar de fala.
Será que, se eu tivesse ido mais longe na Olimpíada, eu seria mais bem-sucedida? Será que, se eu tivesse praticado todas as coisas para as quais tenho talento, eu “estaria mais longe”?
Não sei, nunca vou saber e tenho raiva de quem sabe (mentira, eu só tenho raiva de gente babaca que me enche o saco). O que eu sei é que sou debochada, gosto do meu cabelo rosa, de artes e tenho boa resistência a álcool. Ah! E caruru e bobó de camarão. Pode não parecer, mas setembro tá aí chegando! Me chamem pra comer caruru que eu vou amar!

Menina, você ja nasceu lendo revista em quadrinhos. Devorava todas. Lembra? Quais eram? Sucesso, sempre.
ResponderExcluirComo é mesmo o pensamento atribuído a Thomas Edison? Algo tipo "Talento é 99% transpiração e 1% inspiração". Talvez essa coisa de talento seja apenas mesmo uma grande piração coletiva.
ResponderExcluirO que acho que precisamos mesmo é aprendermos mais e mais a trabalhar juntos e coletivamente nos ajudarmos a sermos pessoas melhores para construirmos um mundo melhor. Obrigado pelas reflexões.